Orientações aos Pareceristas
A avaliação por pares consiste no exame crítico e qualificado de manuscritos por especialistas independentes, com a finalidade de apreciar sua relevância, originalidade, consistência metodológica, qualidade argumentativa, interpretação dos resultados e contribuição efetiva ao avanço do conhecimento. Trata-se de etapa essencial do processo editorial, uma vez que contribui para o aprimoramento dos textos submetidos, para a tomada de decisão editorial e para a preservação da integridade científica da publicação.
Na RCSF, a revisão por pares integra um modelo editorial orientado pelo equilíbrio entre rigor acadêmico e aplicabilidade operacional. Após a análise preliminar de adequação ao escopo, às normas editoriais, à originalidade e à qualidade científica mínima, os manuscritos aptos seguem para avaliação duplo-cega por pares, realizada por dois pareceristas independentes, com possibilidade de designação de terceiro avaliador em caso de divergência.
O sistema duplo-cego pressupõe a preservação do anonimato entre autores e pareceristas durante a etapa de revisão. Ainda assim, em situações específicas, o revisor poderá inferir a provável origem institucional, o contexto ou a autoria do manuscrito em razão de características do estudo. Nesses casos, se entender que sua imparcialidade pode ser comprometida, deverá comunicar prontamente a editoria e, se necessário, declinar do convite.
Diretrizes gerais para a elaboração do parecer
O parecer deve ser redigido em linguagem técnica, respeitosa, objetiva e construtiva. Espera-se que os comentários contribuam efetivamente para o aperfeiçoamento do manuscrito, ainda que a recomendação final seja desfavorável. Não são compatíveis com o padrão editorial da revista manifestações de tom hostil, depreciativo, irônico, arrogante ou paternalista.
Recomenda-se que o parecer contenha, sempre que possível, uma apreciação geral do manuscrito, seguida de observações específicas, organizadas de forma lógica e fundamentada. As recomendações devem ser úteis tanto para os autores quanto para a editoria, indicando, com clareza, os pontos fortes do trabalho, suas limitações e as melhorias necessárias para eventual prosseguimento editorial.
Questões de redação, clareza textual, organização interna e correção linguística também podem ser apontadas, especialmente quando interferirem na compreensão do conteúdo científico. Nesses casos, o revisor deve assinalar os trechos problemáticos de forma precisa, sem reescrever integralmente o texto nem impor preferências estilísticas pessoais incompatíveis com a diversidade legítima da escrita acadêmica.
O parecer deverá ser apresentado dentro do prazo estabelecido pela editoria, por meio do sistema eletrônico da revista. Caso o revisor identifique impossibilidade superveniente de concluir a análise no período previsto, deverá comunicar a situação com a maior brevidade possível, para que a editoria adote as providências cabíveis. O manuscrito recebido para avaliação é documento confidencial e não poderá ser compartilhado, discutido ou utilizado para qualquer finalidade alheia ao processo editorial sem autorização expressa da revista.
Aspectos centrais a serem observados na avaliação
1. Mérito científico e relevância
O revisor deverá examinar se o manuscrito apresenta contribuição efetiva ao campo temático da RCSF, considerando sua originalidade, atualidade, pertinência ao escopo da revista e potencial de impacto acadêmico, técnico ou operacional. Deve avaliar se o problema de pesquisa está claramente formulado, se os objetivos são consistentes com a proposta do trabalho e se a justificativa apresentada demonstra adequadamente a relevância do estudo.
Também se espera que o parecer considere se os resultados ou argumentos centrais do manuscrito acrescentam algo de substancial ao conhecimento já disponível, evitando duplicação indevida de achados já suficientemente consolidados, salvo quando a replicação for metodologicamente justificada e cientificamente relevante.
2. Adequação metodológica e interpretação dos resultados
O parecerista deverá examinar se o delineamento do estudo é compatível com os objetivos propostos, se os métodos estão descritos de forma suficiente para compreensão, análise crítica e, quando cabível, reprodutibilidade, e se as conclusões decorrem logicamente dos resultados apresentados.
Deve-se verificar, ainda, se há coerência entre problema, objetivos, método, resultados e conclusões; se a discussão dialoga adequadamente com a literatura pertinente; e se o manuscrito explicita, quando for o caso, implicações práticas para o contexto operacional, institucional ou científico abrangido pela revista.
Nos manuscritos de natureza aplicada, técnica ou operacional, é particularmente importante avaliar a clareza da descrição da experiência, técnica, protocolo ou caso analisado, bem como sua utilidade potencial para o cotidiano dos serviços de emergência, segurança pública, defesa civil e áreas afins.
3. Apresentação formal do manuscrito
O revisor deverá observar se o texto está em conformidade com as normas editoriais da revista, com o modelo correspondente à modalidade de manuscrito e com os requisitos formais de estrutura, resumo, palavras-chave, referências, tabelas, figuras e demais elementos obrigatórios.
Devem ser considerados, entre outros pontos, a clareza e a consistência da redação, a adequação do título e do resumo em relação ao conteúdo do manuscrito, a pertinência e a suficiência de tabelas e figuras, a ausência de duplicação desnecessária entre texto e elementos visuais e a conformidade das citações e referências com o padrão bibliográfico adotado pela revista, preferencialmente o sistema Vancouver.
Sempre que possível, recomenda-se que os comentários indiquem com precisão a localização dos trechos a que se referem, mencionando página, parágrafo, seção ou outro elemento identificador, a fim de facilitar a análise pelos autores e pela editoria.
4. Aspectos metodológicos e estatísticos
Quando aplicável, o revisor deverá analisar se o estudo identifica claramente seu delineamento e seus procedimentos analíticos, se os testes estatísticos utilizados são compatíveis com a natureza dos dados e com os objetivos da investigação, e se os resultados foram apresentados de forma tecnicamente adequada.
Também cabe avaliar a suficiência do tamanho amostral, a presença de potenciais vieses de seleção ou aferição, a descrição das medidas de dispersão e precisão, a apresentação de estimativas de efeito quando pertinentes e a forma de relato dos valores de significância estatística. Quando houver fragilidades relevantes nesse campo, elas devem ser explicitadas com objetividade no parecer.
5. Aspectos éticos e integridade científica
O parecerista deve estar atento a indícios de plágio, autoplágio, submissão simultânea, fragmentação indevida de resultados, manipulação de dados, omissão de informações essenciais, uso inadequado de imagens ou quaisquer outras situações que possam caracterizar má conduta científica ou editorial.
Nos estudos que envolvam seres humanos, dados identificáveis ou informações sensíveis, o revisor deverá observar se o manuscrito informa aprovação ética, conformidade com as normas vigentes e resguardo de anonimização e confidencialidade, em consonância com as políticas da RCSF.
Havendo dúvida ou preocupação ética relevante, o parecerista deverá comunicar a editoria em campo apropriado do sistema ou por meio do canal editorial indicado, abstendo-se de resolver a questão diretamente com os autores.
Conflitos de interesse e confidencialidade
O revisor deve declarar qualquer conflito de interesse de natureza pessoal, acadêmica, institucional, profissional ou financeira que possa comprometer, ou aparentar comprometer, sua independência de julgamento. Nessa hipótese, deverá recusar o convite ou comunicar imediatamente a situação à editoria, para deliberação.
O conteúdo do manuscrito e das informações associadas ao processo de avaliação deverá ser tratado com estrita confidencialidade. Não é permitido reter cópias, compartilhar o material com terceiros, utilizá-lo em benefício próprio ou empregar ideias, dados ou interpretações antes da publicação regular do trabalho.
Envio do parecer no sistema eletrônico
A submissão do parecer deverá ser realizada exclusivamente por meio do sistema eletrônico da revista, em área específica destinada aos revisores. O parecerista deverá registrar sua recomendação editorial e inserir comentários dirigidos aos autores e, quando necessário, observações confidenciais destinadas apenas à editoria.
Recomenda-se que o parecer seja o mais completo possível, com justificativa suficiente para a recomendação apresentada e com indicação clara dos pontos que demandam correção, esclarecimento, aprofundamento ou eventual reformulação substancial.
Possíveis recomendações editoriais
Em regra, a manifestação do parecerista poderá conduzir, entre outras possibilidades, às seguintes recomendações:
- Aceitar: quando o manuscrito apresentar mérito científico suficiente para publicação, admitindo-se apenas ajustes editoriais ou formais de pequena monta.
- Solicitar revisões: quando o texto demandar ajustes específicos, mas já apresentar consistência suficiente para prosseguir no fluxo editorial após a correção dos pontos apontados.
- Submeter a nova rodada de avaliação: quando o manuscrito revelar potencial, mas necessitar de reformulações substanciais de método, redação, análise, estrutura ou argumentação, justificando nova apreciação pelos pareceristas após a revisão.
- Rejeitar: quando o manuscrito não demonstrar qualidade científica mínima, aderência ao escopo, consistência metodológica ou contribuição suficientemente relevante para justificar sua continuidade no processo editorial.
A recomendação do parecerista subsidia, mas não substitui, a decisão editorial final, que compete à editoria da revista, à luz do conjunto dos pareceres, das políticas institucionais e do interesse científico-editorial da RCSF.